
Sentado naquela cadeira,
suando frio, aquele hospital estava pequeno para o tamanho de minha angustia
que não descia pela garganta, os sedativos ainda não haviam cumprido o seu
papel enquanto eu desesperadamente ia me sufocando naquela sala, as lagrimas
escorriam pelo meu rosto lavando minha alma, eu estava perdoando meus pecados e
os de quem tanto me feriram.
Minha vida inteira
passando como um filme trágico onde o vilão agora sentado em uma cadeira a
ponto de não ter forças nem para respirar, mas a morte naquele momento não me
parecia algo ruim, as dores da alma agora queimando por dentro talvez fossem
aliviadas pelo beijo frio da morte.
A enganação nem sempre vem
através da mentira, ela pode vir ainda mais cruel em forma de amor. Eu custei a
perceber que nem sempre quem está ao nosso lado quer realmente permanecer,
então eu fui jogado contra tudo o que eu sempre recusei a acreditar, embora as
pistas sempre estivessem evidentes.
Eu chorava por todas as
chances que eu pude de ser feliz, mas recusei com medo da infelicidade, mas
percebi ali também que o medo não provém de sucesso e realização, mas de uma
grande covardia de quem tanto já se enganou.
Eu chorava por todas as
vezes que meus sacrifícios não foram suficientes para um alguém que quase nada
sacrificou, e que por tantos esses anos foi um desconhecido.
Eu chorava de saudades do
tempo em que nada me subestimava e por todas as pessoas que já colocaram seus
sonhos em cima de mim e fui pequeno demais para carregar esse peso.
Eu chorava porque eu sabia
que esse dia iria chegar mais custei a acreditar colocando tudo para debaixo de
um enorme tapete.
Agora totalmente dopado os
pensamentos começavam a tentar se organizar e embora eu estivesse rodeado de
pessoas eu me sentia totalmente sozinho. Talvez o problema não fosse ao corpo,
mas na alma, talvez o problema não fosse onde eu estava, mas aonde eu queria
estar.
Eu nunca gostei de
demonstrar fraqueza, porém eu deveria chegar ao fundo do poço para que tudo
fizesse sentido ou pelo menos para que algumas coisas se encaixassem.
Então ali naquele hospital
eu fui deixando que muitas coisas morressem dentro de mim, em forma de lágrimas
cada coisa que eu odiava foram lentamente morrendo.
Não existe nada em mim que
esteja errado embora eu tenha ouvido as piores palavras nos últimos meses e
tudo o que você houve a seu respeito não quer dizer que seja sua realidade, mas
a forma de quem te descreve te vê.
Então eu cansei do pouco
que era me entregue e firmei um pacto comigo mesmo, aprendi também que o tempo
é o melhor analgésico e que embora em algumas situações você não possa demostrar
realmente o seu lado bom isso não significa que você seja uma pessoa má.
Aprendi que embora você possa
parecer estar morto saiba que enquanto houver um único suspiro haverá vida.
Precisava de um pouco de
amor próprio e encontrei na dor um antídoto que é capaz de curar qualquer
ferida.